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António Meireles afirma que " estamos a apostar na internacionalização

Jornal “O Progresso de Paredes”

A Voz dos Empresários
30-04-2010

http://www.progressodeparedes.com.pt/anoticia.aspx?id=568

Natural e residente na freguesia de Sobrosa, onde tem sedeada a sua empresa, António Casimiro Coelho Meireles foi o homem dos “sete ofícios”. Aos 67 anos de idade recorda com saudade tudo o que aprendeu ao longo da sua carreira profissional que foi multifacetada. Há cerca de 30 anos criou a Meilex, uma empresa de produtos dirigidos à indústria de estofos e decoração e ao sector hospitalar e hoteleiro.

Depois de ter estudado até aos 16 anos, António Meireles foi trabalhar como caixeiro (balconista) em Cristelo. De lá foi cumprir o serviço militar obrigatório que o levou a Angola, onde esteve durante 25 meses e onde queria continuar a viver, não fosse a renitência da namorada, futura esposa. Chegado a Portugal, casou, foi pai de três filhos (uma menina e dois rapazes) e lançou-se no mundo dos negócios. Tomou conta de uma mercearia. Um negócio que teve de deixar à responsabilidade da esposa, pois “não dava para tudo”. Para tentar melhor sorte, foi trabalhar para uma empresa de contraplacados em Matosinhos. Como trabalhava por turnos, ainda ajudava a esposa nas lides da mercearia. Nesse tempo dedicou-se também à moagem de cereais, o que fazia num moinho eléctrico. Alguns anos volvidos, e quando já ganhava 88 escudos (44 cêntimos) por dia, teve um convite para trabalhar numa metalurgia de Freamunde. Cargo que aceitou, apesar de passar a ganhar menos uns tostões no final do mês, mas, pelo menos, estava mais perto de casa. Foi nesta empresa de Paços de Ferreira que trabalhou quase até aos 40 anos de idade. Momento em que foi desafiado por um amigo a abrir um negócio na área dos tecidos. Falou com o seu patrão, expôs-lhe a situação e avançou com o projecto. A firma, em nome individual, foi criada no início da década de oitenta. Começou por fazer coberturas para colchões e por vender pano-cru para estofos. Uns anos mais tarde lançou-se também na venda de fraldas de pano e pano-cru para os hospitais. “Como o negócio começou a desenvolver, ganhamos algum dinheiro nessa altura”, recorda. A Meilex (Meireles + Leão) nasceu passados três anos e contava com o trabalho de três pessoas. Hoje, quase três décadas depois, a empresa tem 19 funcionários (alguns deles na empresa há mais de 20 anos) e ocupa uma área de cerca de dois mil metros quadrados. Apaixonado por Angola, onde voltou há cerca de dois anos, António Casimiro Meireles pretende expandir o negócio que gere para esse país, assim como para outros. Alargar os horizontes e apostar na internacionalização são as ideias-chave para dar continuidade ao sucesso empresarial com que contou até aos dias de hoje. Durante muitos anos foi o vendedor (comercial) da Meilex. Uma função que o obrigava a fazer muitas viagens, o que era desgastante pois “não havia as estradas nem as facilidades de acesso que há agora”. Com os olhos postos no desenvolvimento a empresa de António Meireles acompanhou sempre as necessidades impostas pela evolução da sociedade. Por isso, orgulha-se de dizer, “que fomos pioneiros no lançamento de muitos produtos que, depois, outras marcas vieram copiar”. Tantos anos e muitos projectos depois, o empresário ainda recorda o nome do primeiro hospital seu cliente. Foi o antigo Hospital de Abrantes.

“Temos sido pioneiros no lançamento de muitos produtos”

Há quatro anos os filhos do empresário entraram na empresa como sócios, mas os dois rapazes sempre ali trabalharam. Um factor que em nada abalou a vontade de inovar e trabalhar de António Meireles. Pois, e apesar de já estar aposentado, continua a estar na sua empresa todos os dias e continua a lançar novas ideias para fazer face a um mercado cada vez mais competitivo. Se bem que agora, e ao contrário do que acontecia no passado, “há uma concorrência muito desleal. E por causa disso as nossas margens de lucros são mais pequenas, pois queremos continuar a vender produtos de qualidade, mas a preços cada vez mais baixos”, refere. Saliente-se que a Meilex, que em tempos teve uma filial em Braga, nunca baixou o seu volume de facturação. Por isso, e por muitos outros factores, é que o empresário não se mostra arrependido de ter abandonado o seu emprego como metalúrgico e de se ter lançado no mundo dos negócios dos tecidos e colchões de espuma para hospitais. Sendo que a breve prazo será lançada uma linha de colchões de espuma para utilizadores domésticos. Neste momento, a empresa está na fase final no processo de certificação de qualidade e está em fase de classificação pelo Infarmed, como dispositivos médicos. Saliente-se que a Meilex produz e comercializa almofadas, colchões hospitalares, roupas (fronhas, lençóis, resguardos, …), produtos de higiene, produtos de limpeza, mobiliário hospitalar e componentes de espuma.

 

“Não consigo viver sem esta empresa”

Aos 67 anos, António Meireles queria apenas ter 10 anos a menos para voar mais alto no mundo dos negócios. Assim, e porque não pode fazer o tempo voltar atrás, deixa esses voos para os filhos, ou para os seus 6 netos. Certo é que o negócio que criou terá continuidade. Mas “o caminhos dos meus filhos está, agora, muito mais facilitado. Eu tive muitas mais dificuldades”, salienta. O empresário é presença assídua na Meilex, até porque, reconhece, “não consigo viver sem isto”. Nas horas livres que tem não gasta tempo nem dinheiro a ver o seu Futebol Clube do Porto, nem a conversar numa mesa de café. Os seus passatempos favoritos são recuperar coisas antigas (uma casa senhorial ou a sua primeira motorizada – uma Florett - que, durante tanto tempo o levou para Matosinhos e para Freamunde) e tratar da agricultura. E foi para aliar o seu gosto pela vinha ao seu gosto pela terra que António Meireles decidiu criar a sua própria marca para a produção de vinho verde que faz todos os anos. A marca “Sinarros” está em fase de expansão. Em 2009 a produção encheu 35 pipas de vinho, mas o agora produtor quer duplicar este número nos próximos anos.  

© 2010 Meilex - Produtos de apoio hospitalar, colchões e moldes em espuma.